Quantas
vezes olhaste por este vidro? A mesma névoa. Os mesmos reflexos. Um velho de
barba grisalha, vista cansada, pouco cabelo, memória farta. Farta falta. Um
velho sóbrio em constante perda. Memória. Lá fora, as paisagens são quadros já
vistos, revistos e esquecidos. Inconstantes equívocos. Fios alvos, de todas as
cores a do tempo é branca. Tempo que desbota os seus reflexos, a sua face.
Tempo que desbota as suas lembranças. O velho por de trás do vidro tentava, em
vão, subverter tal alvura. Subvertia, esquecia. E assim, o tempo jazia as cores
daquele velho sonhador.
O garoto no leito do hospital pronto para ser desvanecido:
- Pai, morrer deve ser que nem viajar de balão sozinho por aí.
O homem sem reação:
- É...
- e viver o que é meu filho? - retruca.
- Viver é viajar de balão só que acompanhado.